Fabricantes montam sistemas para receber de volta e reciclar aparelhos aposentados pelas novas tecnologias.
O que fazer com o celular trocado por um novo modelo?
E com o notebook já tecnologicamente defasado ou a velha geladeira substituída por outra que consome menos energia?
A atitude mais comum é doar para quem precisa, passando de mão em mão até parar nos lixões. Ou então guardar em gavetas ou armários porque um dia – sempre acreditamos! – poderão ter alguma utilidade. Mas agora, com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto de 2010 (ver http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=6016), o destino dos aparelhos fora de uso será diferente.
A lei obriga que indústrias e comerciantes montem esquemas para coleta, desmontagem e reciclagem dos equipamentos e seus componentes. “A tendência, no primeiro momento, é a devolução nas redes de assistência técnica dos fabricantes”, diz André Luiz Saraiva, diretor da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
As indústrias deverão oferecer bônus e outros incentivos ao consumidor para a entrega do aparelho velho na troca por um novo, além de promover campanhas educativas para orientar sobre a importância da evolução. “Novas atitudes são essenciais para a logística reversa (conjunto das operações relacionadas ao reuso de produtos e materiais) funcionar na prática”, ressalta Maria Claudia Souza, diretora da Dell, fabricante de computadores.
No Brasil, a multinacional coleta há três anos produtos obsoletos da própria marca nas residências, encaminhando-os para reciclagem. A HP também antecipou à lei brasileira, seguindo padrões ambientais de países europeus, e mantém no Brasil 115 pontos de recolhimento nos serviços de pós-venda e recebe devolução de aparelhos via pedido na internet.
O fabricante de celulares Nokia pretende instalar 130 pontos de recolhimentos dos aparelhos inutilizados nas lojas da rede Pão de Açúcar até o final de 2010 após resultados de pesquisas constatando que somente 3% dos usuários costumam reciclar os celulares, a maior parte guarda os aparelhos fora de uso em casa.
Se todos os cerca de 4,8 bilhões de usuários no mundo devolvessem pelos menos um aparelho em desuso, seria possível economizar 380 mil toneladas de matéria-prima e reduzir a emissão de gases, com efeito idêntico à retirada de quatro milhões de carros das ruas.
O maior poder aquisitivo da população, aliado ao ritmo do avanço tecnológico, aposenta cada vez mais rápido modelos obsoletos de eletroeletrônicos. Nos últimos dez anos, a produção brasileira de celulares aumentou de 7,5 milhões para 66 milhões de aparelhos. No mesmo período, o número de computadores cresceu cinco vezes – o que dá pistas sobre a quantidade da sucata referente aos produtos que saíram de uso.
No mundo, são produzidos por ano 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Menos de 10% são recicladas e grande parte é exportada pelos países ricos para desmontagem em regiões mais pobres sem leis rígidas de controle, a exemplo de China e Índia.
O Brasil, como país de economia emergente, foi apontado pela ONU como um dos principais geradores desses resíduos. O cenário preocupa e é alvo de um amplo diagnóstico iniciado pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com organizações empresariais, para dar suporte à montagem da logística reversa no país.
Fonte: Adap. Revista Horizonte Geográfico, nº 131, Ano 23
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